Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.
Luis Fernando Veríssimo | O gigolô das palavras.  (via delator)
Eu quis cravar meus dentes na tua coluna vertebral enquanto tu agitava meu velcro, alisando deliciosamente meu baixo ventre em busca do meu prazer, eu quis colar-te em meu corpo logo de uma só vez, porém tu não se destranquilizava daquele alisamento prazeroso. Quando enfim sessou, pediu para que eu me ajoelhasse e mandasse ver, talvez sua mente achasse que eu não era de nada, mas suguei-o sem dó nem piedade, lambi cada centímetro de sua extensão, não vou vulgarizar as palavras, mas foi uma transa legal. Ele tinha olhos bonitos, não que eu reparasse nisso, não que ele tenha me satisfeito, eu apenas não tive vontade de pegar minhas trocas de roupa e zarpar elevador a baixo, eu me contive ali nos seus braços enquanto ele me contava do seu trabalho em uma biblioteca suburbana, enquanto ele ressonava babando no meu peito inexistente, era muito para mim, tinha de sair dali, tinha de carregar minha carcaça para um bar qualquer, contar os trocados que me sobravam e trocar por uma cervejinha barata, mas algo me deteve, eu esperei por ali até amanhecer, eu não ousei dormir, mas velei por suas pálpebras arrochadas nos cílios. Eu deveria ter ido embora, porém eu queria mais, eu sempre queria mais, mas nunca com o mesmo cara.
Ninfomaníaca (secretaria-da-morte)  (via secretaria-da-morte)
Meu esmalte vermelho escarlate descascado me lembra o fogo que carrego em meu ventre, talvez um dragão tenha cuspido boca a dentro, talvez eu seja feita de inferno, ou quem sabe eu era lamparina de Deus nos tempos de outrora. Insaciável define, não importa se é loiro ou moreno, alto ou baixo, magro, gordo, nem se faz bem ou eu tenho de tomar as rédeas da situação. Eu me alimento de orgasmos, de porra branca e quente, mas não me sacio em noites, hotéis,apartamentos, barcos, escritórios, praias, areias enveredadas em lugares obscuros. Eu não me contento, me falta algo, não achem que é amor, pelo amor de Deus, deve ser alguma alteração genética, alguma piada interior que Deus não quis compartilhar com santo fulano ou santo sicrano. Eu tenho sede de sexo, enquanto você não consegue largar o cigarro, ou não passa de um bebum, qual a diferença? São vícios certo? Exato. Aninha rói unha, Lucas estrala os dedos, eu trepo. Minha acetona acabou, e agora tenho de tirar nos dentes o esmalte cor de sangue, o mesmo que corre mais rápido em minhas veias toda noite de caçada bem sucedida. Peço um drink, queimo a garganta e vou atrás de orais.
Ninfomaníaca (secretaria-da-morte)
Minhas omoplatas eram muito mais pesadas, como se fossem concreto nu e cru, suas mãos eram muito desenxavidas, e seus olhos não eram caidinhos como eu gostava, seus membros eram desencaixados, ombros largos demais, traziam um certo contraste, faziam-no um triângulo humano, um triângulo que queria me comer. Eu agilizei as coisas, queria-o longe, sossego para me martirizar por ter levado aquilo para casa, de ter gastando os meus preservativos com tão pouco, ou tão muito. Muito ogro, com a suavidade de uma criança de dois anos, não sabia se impor, não sabia caminhar, era uma pirâmide em plena Oceania, tronei-me sua ilha, ele me possuiu tão vorazmente, feito cão que rasga a presa, ou leão seria mais próprio. Me deixei, ele se levou e dormiu, merda. Tive de o acordar e dizer que meus pais estavam para chegar. Ele não precisava se dar conta que eu era órfã desde os quinze, se vestiu rapidamente e saltou elevador abaixo.
Me encolhi ali na minha cama, e remediei mais uma transa, abri a gaveta, encontrei um baseadinho que um cara deixará aqui, e me embebi, me induzi a esquecer, que eu não tratava deste pedaço de carne flamejante, que apenas quer devorar, menos triângulos, nunca mais, nunca gostei de geometria.
Ninfomaníaca (secretaria-da-morte)
Eu me agarrei as tuas pernas, lambi cada centímetro e vi teus pelinhos se eriçarem feito gato escaldado, eu olhei para os seus olhos e deles capturei uma mistura de tesão e surpresa, sorri com desdém e envolvi seu membro com a boca, comecei a sugar de leve, e fazer movimentos contínuos, percebi sua respiração acelerar ao ponto de me passar pela cabeça te presentear com uma mascara de ar, mais alguns minutos em um certo ritmo, te apertando as nádegas, te desenhando com as minhas unhas finas e vermelhas, mesmo que descascadas. Senti teu gozo, marrento e quente, senti teu suspiro e teus braços me enlaçando com uma certa impertinencia, eu não gosto de tanto contato, não gosto dessas coisas com casais. Eu não quero ser um casal, não quero pertencer nem entregar meu gozos, mas deixei-me envolver pelos seus braços, apalpei seus ombros largos, enquanto ele se metia a abocanhar minha barriga, nem reparou nas cicatrizes, um alivio sempre penso. Ele escorregava a boca aguada por tudo quanto é lugar, me emergia, fazia-me molhada para só então sugar, ele fez seu próprio ritmo, me adentrou e eu apenas o recebi, o encaixei nas minhas entranhas, em alguns vai e vem, dois corpos suados, fungando, pingando, não era amor, alguns puxões de cabelo, outros tapas, era mais selvagem, era sexo e só, mesmo que ele me ligasse, eu desconversaria e fugiria de seus domínios, de qualquer forma. Eu não nasci para pertencer, sou como uma geada que queima mesmo sem fogo, e lambe o trigo que serviria de alimento para o resto do rebanho, só por maldade.
Ninfomaníaca (secretaria-da-morte)
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hostiliza-r:

a poesia permanece me entalando a garganta.